Devocional Familiar

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Quando nos tornamos pais, Provérbios 22:6 soava como algo simples para mim e para meu marido Barry: "Instrua a criança segundo os objetivos que você tem para ela e mesmo com o passar dos anos não se desviará deles."

Atualmente estamos no árduo processo de "treinar" nossos três filhos. Temos um caminho específico que gostaríamos que eles trilhassem e se decidissem permanecer nele, isso seria fantástico. Com isso em mente, recentemente pensei que deveríamos ter uma abordagem proativa em relação ao crescimento espiritual de nossos filhos. Tudo começou quando ouvi no rádio aquelas duas palavras que causam terror no coração de pais cristãos em todo o mundo. Ouvi aquelas duas palavras mais alto do que o som glorioso de meus meninos brigando no banco de trás: devocionais familiares. Pensei: "Claro, fazemos devocionais familiares o tempo todo." Então senti o doce sussurro do Espírito Santo através de uma música de Steven Curtis Chapman que tocava no rádio.

Espírito Santo: Suzanne?
Eu: Pois não?
Espírito Santo: Você disse que faz devocionais familiares "o tempo todo"?
Eu: Hum... sim!
Espírito Santo: Bem, não tenho certeza de que isso está inteiramente correto.
Eu: O que você quer dizer? E esta manhã? Estudamos o primeiro livro de Samuel.
Espírito Santo: Colocar as crianças para assistir ao filme "Davi e o Picles Gigante" (em referência ao desenho infantil Os Vegetais) enquanto você varre o chão da cozinha, não conta.
Eu: Sei, mas aquelas crianças sabem que Deus os criou de maneira especial e que ele as ama muito. Além do mais, elas sabem conversar com tomates.

Acho que nem preciso dizer, mas este último argumento não pesou. Barry e eu decidimos que era hora para uma rotina mais consistente. Comecei minha jornada procurando as Bíblias devocionais para crianças, que havia comprado no Natal anterior. Encontrei uma debaixo da cama do meu filho, ao lado de cinco meias sujas e de uma embalagem vazia de chocolate. Compreendi isso como um sinal de que meu filho estava estudando a Bíblia sozinho, enquanto comia um delicioso chocolate. E, talvez, seus pés estivessem frios. Em seguida, escolhi um dia e horário para nosso tempo devocional juntos, o que acabou por virar uma tarefa desafiadora por si só.

"Bem, não pode ser as terças e sextas, pois vocês têm esportes. Às quartas temos um pequeno grupo. Os fins de semana são cheios. Que tal às quintas-feiras à noite?", sugeriu Barry.

"Quintas-feiras? Você está doido? Vou perder um episódio de Survivor!", eu disse.

Bom, pelo menos agora temos nossas prioridades em ordem. No fim das contas, optamos pelas segundas-feiras à noite, após o jantar.

Na segunda-feira seguinte nos reunimos na sala de estar, prontos para "treinar" nossos filhos. Caleb (7 anos) e Jonah (4 anos) sentaram-se no sofá. Infelizmente queriam o mesmo lugar para sentar e imediatamente começaram a brigar. Barry interviu e sentou no meio dos dois anjinhos.

Coloquei Silas (o bebê) na cadeirinha com alguns brinquedinhos para se distrair. Imediatamente ele jogou seus brinquedos para o outro lado da sala e começou a gritar: "Sair! Sair! Sair!". Talvez todo este ambiente fosse uma distração para ele, então o levei para fora da sala.

Barry então começou: "Bem meninos, hoje vamos olhar para a Palavra de Deus juntos e ver o que ele quer nos ensinar".

"Pai, posso pegar alguma coisa para beber?", perguntou Caleb.

"Não Caleb, vamos fazer isto primeiro", respondeu Barry pacientemente.

"Pai, posso pegar alguma coisa para beber também?", perguntou Jonah.

"Sim, Jonah, mas só depois que terminarmos. Agora vamos ler a história sobre Jesus no deserto", disse Barry.

Então Silas tropeçou no fio de uma luminária, fazendo com que ele e a lâmpada caíssem no chão. Paramos por um momento para cuidar do sangramento e retirar os perigosos vidros quebrados do chão. Então continuamos nosso tempo especial de treinamento das crianças:

"Ok, Jesus no deserto...", recomeçou Barry.

"Pai?", disse Caleb novamente.

"Sim, Caleb?"

"Posso tomar um refrigerante?"

"Caleb, falaremos sobre isso depois. Agora ouça o papai", eu interrompi.

Barry recomeçou: "Jesus foi ao deserto..."

"O que é um deserto mesmo?", perguntou Jonah.

Ok, explicações são importantes. Sem problemas. Barry explicou: "É um lugar muito seco, empoeirado, sem árvores ou grama. Então, Jesus foi ao deserto..."

"Ele espirrou, pai?", questionou Caleb.

"O quê?", perguntou Barry, virando os olhos e com uma pequena veia visivelmente pulsante na cabeça.

"Jesus espirrou?", Caleb insistiu.

Barry me olhou. Sabíamos o que queríamos transmitir aos nossos filhos e não era bem isso.

"Caleb, porque você quer saber se Jesus espirrou?", perguntei.

"Ué, porque você falou que estava empoeirado. Eu espirro quando algum lugar está empoeirado." Uma questão perfeitamente lógica. Não tinha a ver com o ponto que queríamos abordar, mas era um raciocínio lógico.

"Bem filho, Jesus era uma pessoa como nós, então provavelmente ele espirrou em alguns lugares quando estavam empoeirados", disse Barry, respirando profundamente.

Os meninos permaneceram em silêncio por um momento, provavelmente imaginando o Messias no primeiro século espirrando com um ataque alérgico. No canto da sala, Silas encontrou uma moeda e colocou na boca. 

Após resgatar a moeda e evitar o perigo de um bebê engasgado, Barry disse: "Bem, onde estávamos mesmo?"

"Na alergia", respondi.

"Ah sim. Então, talvez ele tenha espirrado e talvez não. O que importa é que Jesus foi ao deserto. Enquanto ele estava lá..."

"Pai...", interrompeu Jonas.

Barry respirou fundo: "Sim, Jonah?"

Jonah disse, como uma risadinha: "Se Jesus espirrava, isso significa que ele tinha sujeirinhas no nariz?"

Nessa altura do campeonato, os meninos riam histericamente. "Ele tinha sujeirinha no nariz!", pulavam para cima e para baixo gritando. 

Ao fundo, o telefone tocava.

Barry deixou a Bíblia sobre a mesa e saiu solenemente: "Vamos orar".

Você quer saber a moral desta história? - Devocionais familiares são períodos em que desenvolvemos traços de caráter bíblicos, como o amor, paciência e perseverança. Se seus filhos pequenos aprenderem algo mais, que bom, isso é um bônus.

Deus nos usa de formas incríveis para se revelar aos outros, apesar de nossos caminhos tortuosos. Sentamos para ensinar nossos filhos sobre tentação e ele decidiu ajudá-los a compreender sobre a encarnação: Jesus de carne e osso. Vai entender!

Contribuir para o crescimento espiritual de seus filhos é um trabalho de tempo integral e muitos destes momentos não podem ser agendados. Provavelmente precisaremos deixar gravando os episódios de nossos programas favoritos.

Suzanne Pearson é escritora freelancer e mora com a família em Virginia (EUA).

Texto extraído do site Cristianismo Hoje.