Ao contrário de outros países, o período integral ainda não faz parte de nossa cultura, da mesma forma que o ingresso das mães no mercado de trabalho é um fenômeno recente, das últimas décadas. Isso pode explicar a razão de tanta insegurança e, sem dúvida, daquela pontinha de culpa que teima em atormentar as mães, tanto as que estão se decidindo, quanto aquelas que já fizeram sua opção pelo período integral. Afinal, muitos adultos ainda se lembram, com nostalgia e saudade, dos seus tempos de infância. Brincavam na rua e subiam em árvores nos quintais, supervisionados por suas mães, presentes todo o tempo. Essa realidade parece, contudo, muito distante da vida atual das grandes cidades, onde pais e mães saem cedo para o trabalho, vivem um dia-a-dia corrido e só retornam para casa à noite.
Uma escolha consciente
Antes de tudo, é preciso refletir, analisar e pesar as vantagens e desvantagens para, só então, resolver se a criança irá passar o dia inteiro na escola. Ainda assim, podem surgir inseguranças. Para começo de conversa, é necessário pensar sobre o principal motivo dessa decisão. Quando o pai e a mãe trabalham sem flexibilidade de horários, fica a questão: o que fazer com a criança? Dependendo das circunstâncias, dos valores e sentimentos dos pais, talvez seja mais tranqüilo considerar uma solução que permita a permanência da criança na própria casa durante um dos períodos.Se for extremamente penoso para os pais imaginar o pequeno passando o dia todo na escola, é possível que essa seja a melhor alternativa. Claro, isso vai exigir a companhia de uma babá de confiança, e, quem sabe, a monitoria das avós. Evidentemente, a criança precisará de alguém que administre seu tempo, estabelecendo a rotina sob a responsabilidade e orientação dos pais.
Lembre-se, entretanto, de que a presença da babá, por si só, não elimina o risco de a criança passar tempo demais na frente da TV ou, ainda, dos maiores ficarem horas seguidas absorvidos pelos videogames, sem as condições necessárias para se dedicar aos estudos, tarefas escolares e leituras. Além de tudo isso, convém lembrar que pode ocorrer um desequilíbrio alimentar, pois, sem um acompanhamento efetivo, as crianças tendem a se entupir, o tempo todo, de salgadinhos, doces e outras "bobagens".
Opinião dos especialistas
Entretanto, se houver dúvidas e inseguranças da família, tirar cedinho as crianças de casa, sobretudo em dias frios ou chuvosos, pode ser bastante difícil. São comuns os questionamentos dos pais a respeito das possíveis perdas e desvantagens para a criança. A respeito dessa questão, não há consenso entre os especialistas. Alguns questionam sua validade, especialmente para os menores até os três anos. A justificativa é de que teriam dificuldades para desenvolver a individualidade e se tornariam inseguros, por serem conduzidos de uma atividade para outra, sem a possibilidade de fazer suas próprias opções. Outros especialistas, ao contrário, argumentam que a criança precisa sempre de um adulto para organizar seu tempo, seja em casa ou na escola, e ressaltam que os maiores ganhos são, sem dúvida, a independência adquirida e a socialização. Desse modo, a reflexão e a decisão cabem, exclusivamente, a cada família, de acordo com seus valores e visão de mundo.
O melhor para seu filho
Acima de tudo, a escolha de uma carga horária maior na escola só pode ser determinada se os pais acreditam que essa é a melhor alternativa para seu filho e não apenas uma solução para o atabalhoado dia-a-dia da família. Precisam estar convencidos de que a convivência com outras crianças, o atendimento e cuidados de profissionais especializadas e a estimulação adequada à faixa etária são fundamentais para o seu desenvolvimento. Trata-se de acreditar e, também, de desejar que a criança cresça com maior autonomia, pois ao sair mais cedo do núcleo familiar e passar mais tempo fora, se tornará mais independente.Há algo, entretanto, que precisa ser ressaltado: a responsabilidade pela educação dos filhos é dos pais. Atualmente, observa-se uma tendência no sentido de delegar e transferir tudo para a escola, um risco que parece aumentar quando a criança passa lá um tempo maior. A educação é, ao mesmo tempo, tarefa e privilégio da família, função que não pode substituída por nenhuma escola, por melhor que seja, em meio período ou tempo integral. Assumir essa responsabilidade faz toda a diferença. Quando os pais compreendem isso e têm, sobretudo, consciência e clareza quanto ao seu papel na educação, tudo se torna mais viável e tranqüilo.
Período integral: atenção em dobro
O período integral pode ser uma ótima opção, tanto para as mães quanto para os filhos. Enquanto elas ficam mais tranqüilas para ir trabalhar, sem precisar se preocupar em achar alguém para cuidar dos pequenos, eles aproveitam para brincar e desenvolver outras atividades, em companhia dos coleguinhas. Mas, antes de se decidir, converse com outros pais sobre indicações e procure visitar o maior número possível de escolas. São vários os cuidados que você precisa ter ao decidir onde matricular seu filho. Se escolher uma escola já é uma tarefa que precisa ser feita com muita atenção, imagine escolher uma na qual seu filho passará o dia todo... é cuidado em dobro! Por isso, fique atenta a essas dicas:
Todos esses pontos são importantes para serem observados e investigados, mas é fundamental que você conte com sua intuição. Procure perceber e captar o lado humano de cada escola, quais são as pessoas mais especiais, que lhe transmitem mais segurança, competência e amor pelo que fazem. Fique atenta, pois em algum momento, sem dúvida, o sininho vai bater mais forte. Aí se iniciará uma parceria em busca do melhor para seu filho.
Dúvidas Freqüentes
E não é só a escolha da escola que merece cuidado. Com os filhos estudando em período integral, muitos pais sentem-se culpados por achar que não estão passando o tempo necessário ao lado dos filhos. Por isso, a relação entre pais e filhos também irá precisar de um cuidado extra. Veja algumas das dúvidas mais freqüentes:A criança não vai se sentir abandonada por ficar muitas horas na escola?
Esta é uma pergunta que reflete a angústia dos pais, mas é fundamental que você tenha em mente o seguinte: o que realmente importa é sua atitude de atenção e suporte em relação a seu filho. É isso que a criança percebe e lhe dá segurança. Por isso, aproveite as idas e vindas da escola para conversar muito com ele, cheque a mochila de tempos em tempos, prepare um lanchinho especial, jamais se esqueça do horário dos passeios, compareça às reuniões e festinhas da escola, mantenha contato, sempre que possível, com os professores. Enfim, esses cuidados são fundamentais para que seu filho perceba que os pais, no dia-a-dia, estão presentes e participantes.Como recuperar o tempo de convivência em família?
Se a quantidade é pequena, a saída pode ser caprichar na qualidade. Assim, procure estabelecer alguns rituais para fortalecer os vínculos afetivos entre os membros da família. As opções vão desde o passeio no parque aos domingos, a pizza do sábado, a leitura de histórias na hora de dormir, o café da manhã e o jantar com todos à mesa e tudo o que for possível introduzir na rotina diária.Em casa, devo ser mais flexível com meu filho?
Fique muito atenta na questão dos limites, pois toda criança precisa deles. Se quiser oferecer um mimo, prepare aquela comida que ele tanto gosta, ou eventualmente, permita que assista a seu programa preferido na TV, num horário mais tarde, mas não deixe que isso se torne rotina. Cuide em especial, para não tentar compensá-lo com presentes, fora das datas comemorativas ou, ainda, com mesadas excessivas. Lembre-se de que a sua insegurança e medo de perder o afeto de seu filho podem descambar para a permissividade.
Outro ponto que merece atenção é a cobrança demasiada e as expectativas altas dos pais em relação ao desempenho das crianças, acima das suas possibilidades. Mais uma vez, a difícil, mas não impossível, busca do equilíbrio é fundamental.
Fonte: www.clicfilhos.com.br
