O Inmetro, em parceria com o Instituto Nacional do Controle de Qualidade em Saúde, testou 11 marcas de desinfetantes vendidas em todo o Brasil.
Marcas testadas
- Extra
- Lysoform
- Minuano
- Pinho Assim
- Pinho Bril Plus
- Pinho Ypê
- Polar
- Poupe Mais
- San Pic
- Higimex
- Limp center
Primeira irregularidade
Duas marcas não tinham registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa):
Higimex e Limp Center.
Elas foram consideradas clandestinas e eliminadas do teste.
"Todo produto desinfetante deve ter registro na Anvisa", explica Marcos Borges, da Divisão de Orientação e Incentivo à Qualidade do Inmetro.
As nove marcas que restaram foram submetidas a três análises.
Teste da rotulagem
Primeira, a do rótulo. Além do nome e fabricante, o rótulo deve trazer informações para a segurança do consumidor:
o registro;
o tipo de risco que o produto oferece;
alertas sobre possíveis reações alérgicas;
orientações de primeiros socorros e indicações para armazenamento.
Das nove marcas analisadas, duas ou não apresentavam as informações exigidas por lei ou traziam informações erradas.
Reprovadas:
- Minuano
- Polar
Teste da composição química
O segundo teste avaliou a composição química dos desinfetantes. O objetivo é verificar se o que o fabricante anuncia na fórmula está realmente no produto.
Das nove amostras testadas, apenas uma foi reprovada, porque tinha um teor de princípio ativo bem menor do que o declarado pelo fabricante no momento do registro da marca.
Reprovada:
- Minuano
Teste da análise microbiológica
"O princípio ativo é a quantidade efetiva do produto que tem ação desinfetante", esclarece Marcos Borges.
O terceiro e último teste dos desinfetantes foi o mais detalhado.
Cilindros de metal foram contaminados, em laboratório, com dois tipos de bactérias: a staphylococcus aureus, que é responsável por várias infecções alimentares e de pele, e a salmonella, que causa principalmente infecção alimentar.
Se, depois de 48 horas, ainda houvesse indício de bactérias, o produto seria considerado ineficaz e reprovado.
Das nove marcas, seis tiveram amostras reprovadas, porque não funcionaram como bactericidas. O teste constatou, inclusive, que a amostra da marca Poupe Mais já estava contaminada antes mesmo das análises. Havia bactérias no desinfetante posto à venda no mercado!
Reprovadas:
- Lysoform
- Pinho Assim
- Pinho Bril Plus
- Polar
- Poupe Mais
- San Pic
"Isso contraria a própria função de um desinfetante, que tem que eliminar a bactéria, não carregar bactéria para dentro de casa", alerta o representante do Inmetro.
Resultado final
Ao final das três análises, o Inmetro considerou que, dos nove desinfetantes analisados, sete tiveram amostras reprovadas pelo Inmetro.
Reprovadas:
- Lysoform
- Minuano
- Pinho Assim
- Pinho Bril Plus
- Polar
- Poupe Mais
- San Pic
E quais são as justificativas dos fabricantes?
Os responsáveis pelas marcas Minuano e Pinho Assim não se explicaram ao Inmetro.
As marcas Lysoform e Polar alegaram que foram aprovadas pela Anvisa, em testes feitos de acordo com as normas da agência.
O Inmetro, porém, diz que os laudos são antigos. Foram feitos em 2004.
O fabricante do Polar informou também que vai ajustar seus rótulos à legislação.
O fabricante do Poupe Mais, marca que já estava contaminada antes mesmo do teste, assegurou que vai investigar o que aconteceu e recolher o lote contaminado do mercado.
Os fabricantes dos desinfetantes Pinho Bril Plus e San Pic pediram reanálise dos produtos.
Os novos testes voltaram a reprovar o Pinho Bril Plus e foram inconclusivos quanto ao San Pic, porque o material biológico usado não atingiu o padrão exigido pelo laboratório.
A Bombril, fabricante do Pinho Bril Plus, garante que o lote testado é o mesmo aprovado em laboratório credenciado pela Anvisa.
Diz que o Inmetro não permitiu que seus técnicos acompanhassem as primeiras análises e informa que vai investigar por que os resultados entre os testes do Inmetro e do laboratório credenciado pela Anvisa foram divergentes.
A Reckitt Benckiser, fabricante do San Pic, também apresentou laudos de laboratórios credenciados pela Anvisa e que aprovaram o produto usando a mesma metodologia das análises do Inmetro.
A empresa questionou a validade e a divulgação dos testes, dizendo que eles passam por meandros técnicos que precisam ser melhor esclarecidos.
O Inmetro ratificou os resultados dos testes.
Diz que os laudos apresentados não invalidam as análises que reprovaram os desinfetantes. Informou ainda que representantes da Reckitt acompanharam os ensaios e manifestou confiança no trabalho do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde.
"Agora o mais importante é sentar com os fabricantes, com os laboratórios e com a Anvisa e verificar o motivo da dificuldade de atender à legislação", afirma Marcos Borges.
Fonte: FANTÁSTICO REDE GLOBO
Dia: 08/06/2008
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